14.10.13

Corte e Poda de árvores - Guia Prático - Árvores (copa, ramos e tronco) - Raiz - Camadas do tronco - Formato da copa e desenvolvimento das raízes - Projeção da copa - Desestabilizadores de árvores - Ação dos ventos - Desvio de fibras - Englobamento incompleto - Podas irregulares - Condições de vida - Pragas - Doenças - Desnutrição - Métodos de avaliação - Todo corte não deixa de ser um ferimento - Árvores Tombadas - Métodos de análises (visual - asucutação - Aparelhos - raio X) - Plano de corte - Entalhe direcional, corte de abate e filete de ruptura (Técnica de corte do tronco) - Corte com queda horizontal - Corte livre - Corte com queda vertical - Corte lascado - Tirolesas - Balancinho com tirolesa - Descida do galho na tirolesa - Forma correta e incorreta de ancoragem do galho - Tirolesa do galho - Crista e colar do galho - Corte inicial da poda - Corte final da poda

CORTE DE ÁRVORE

GUIA PRÁTICO DE “CORTE DE ÁRVORE”

INTRODUÇÃO

O presente guia tem por finalidade estabelecer conceitos a respeito do assunto “corte de árvore” principalmente no que tange às regras de segurança que devem ser adotadas nas operações.

Vinculada à segurança, está a aplicação de técnicas adequadas que permitem operações de sucesso.

Para tanto, dividimos a matéria de maneira que aqueles que a consultarem tenham em mente a importância de uma boa avaliação da situação, conheçam técnicas de corte consagradas.


ÁRVORES

A arborização é necessária à vida humana, pois contribui para abafar ruídos, serve como refúgio para pessoas se abrigarem, alimento para fauna urbana e, desta forma, mantém o equilíbrio no ecossistema, pois ajuda na absorção de águas da chuva, principalmente nas cidades que são impermeabilizadas pelo concreto e asfalto. Também ameniza a alta temperatura pela retirada de calor, seja evapo-transpiração, seja pelo sombreamento proporcionado nos passeios calçadas e quintais. Enfim as árvores são necessárias à vida, portanto devem ser tratadas com seriedade e atenção.

Sendo assim, nossa Constituição Federal incluiu, na preservação do meio ambiente, a proteção às árvores, além de atribuir ao Poder Público e à coletividade a obrigação de proteger, recuperar e ampliar as áreas verdes.

No último capítulo do nosso guia prático, elencaremos a legislação pertinente à matéria a qual deve ser somada à legislação existente em cada localidade.


Pontos de uma árvore além da raiz


RAIZ

São divididas em dois sistemas

Sistema radicular superficial – Geralmente presentes nas árvores brasileiras.


Sistema radicular superficial


• Sistema radicular pivotante (profundo)


Sistema radicular pivotante


CAMADAS DO TRONCO


  

CONDICIONANTES DE ESTABILIDADE

• FORMATO DA COPA
• CLIMA
• TIPO DE ENGALHAMENTO
• DESENVOLVIMENTO DAS RAÍZES
• AUSÊNCIA OU PRESENÇA DE VENTOS


FORMATO DA COPA E DESENVOLVIMENTO DAS RAÍZES

As árvores normalmente têm o seu enraizamento de acordo com a projeção da copada.
Toda esta área de projeção da copada deveria ficar livre para que a árvore recebesse melhor nutrição.
Como já foi explorado anteriormente, as árvores brasileiras têm um sistema radicular superficial e se espalham conforme a copada cresce para os lados.




Projeção da copa

Normalmente, nas áreas urbanas, esta área de projeção da copada recebe cobertura de concreto ou outro tipo de cobertura devido à necessidade dos passeios e calçadas. Tal procedimento compromete a estabilidade da árvore, não permitindo nutrição adequada, o que facilita a instalação de pragas e outros problemas fito-sanitários. As árvores brasileiras são por isso mais afetadas do que as árvores de sistema radicular pivotante. Por esta razão entre outras ocorrem muitas quedas de árvores.


DESESTABILIZADORES DE ÁRVORES

FATORES EXTERNOS

AÇÃO DOS VENTOS

As árvores costumam desenvolver-se umas próximas das outras como forma de se protegerem dos ventos. O Eucalipto é um grande exemplo deste fenômeno.



A ação dos ventos numa árvore provoca o seu tombamento devido às forças que agem sobre as raízes.


DESVIO DE FIBRAS

O desvio de fibras provoca o nó (parte mais dura da madeira). Tal fenômeno compromete a estabilidade da árvore.





ENGLOBAMENTO INCOMPLETO

Quando a árvore sobre um ferimento, ela inicia o englobamento. Se for completo a árvore estará protegida da influência de desestabilização ou outros fatores maléficos. Se o englobamento for incompleto sua estabilidade estará comprometida, além de permitir a penetração de fatores indesejáveis que poderão comprometer sua saúde.


Englobamento incompleto


PODAS IRREGULARES

Podas feitas de maneira errada também comprometem a estabilidade da árvore, pois provocam condições indesejáveis no galho ou ramo cortado, alterando a arquitetura da árvore, permitindo a ação de fungos e pragas combinados com a ação das chuvas.


Poda irregular


CONDIÇÕES DE VIDA

As condições de vida de uma árvore estão intimamente ligadas ao clima e a ação dos demais fatores já citados. Muitas vezes, a genética de uma árvore está, por exemplo, codificada para que tal árvore viva recebendo sol por todos os lados. De repente, constrói-se uma edificação ao seu lado provocando um sombreamento indesejável à genética. Essa árvore poderá ser comprometida na sua estabilidade pelo não cumprimento de uma necessidade genética. Isso poderá provocar a ação de agentes indesejáveis (fungos, pragas, etc), levando a árvore ao desequilíbrio.


FATORES INTERNOS

PRAGAS

As pragas trazem danos às árvores provocando o desequilíbrio de forças pela destruição do tecido Os danos e sinais mais comuns são murchamento e morte.

Os CUPINS, por exemplo, são identificados pela forma como produzem as perfurações no tecido das árvores . Tais canais tangenciam o eixo longitudinal do tronco, ou seja, seguem o mesmo sentido do tronco. Já as BROCAS fazem seus caminhos no sentido transversal, ou seja, perpendicular ao eixo longitudinal do tronco.

Há também os gafanhotos, pulgões, joaninhas, lagartas que acabam com as folhagens impedindo a fotossíntese.


DOENÇAS

As doenças mais comuns são o NANISMO, ENVASSOURAMENTO etc. Tais doenças provocam alteração da coloração, murchamento e podridão.


DESNUTRIÇÃO

A plantação de árvore em solos inadequados ou em locais onde as condições de vida não são favoráveis poderá provocar a desnutrição da árvore. Entre os sinais que se podem observar estão alteração da coloração, debilidade, necrose e deformações


MÉTODOS DE AVALIAÇÃO

Há um grande dilema no Corpo de Bombeiros quanto a se determinar se uma árvore pode ou não ser cortada. Se está ou não em PQI (Perigo de Queda Iminente.).

Salvo todos os dispositivos legais a respeito, os quais não discutiremos neste capítulo, cabendo a cada avaliador não esquecer de levar em conta estas questões legais, há que se estabelecer as diferenças entre PERIGO DE QUEDA IMINENTE e PERIGO EM POTENCIAL.

A ideia que se tem de PERIGO DE QUEDA IMINENTE é o de que a árvore está prestes a cair, seja por um desequilíbrio de forças provocadas por uma rachadura, seja pela ação maciça de pragas, ou mesmo doenças, ou até mesmo pela evolução das forças de ventos sobre as raízes, provocando inclinações anormais ou rachaduras no solo com exposição de raízes. Nestas circunstâncias, não há o que se discutir quanto à necessidade de corte imediato, especialmente se tais árvores ameaçarem a vida e o patrimônio das pessoas. O corte deve ser iniciado imediatamente, seja de dia ou seja de noite. Logicamente deve-se precaver-se das condições de segurança para a guarnição e população vizinha ao evento.

O que ocorre muitas vezes são os tais PERIGOS EM POTENCIAL. A árvore está sadia, bem implantada, mas seus ramos e galhos estão projetados sobre residências, por exemplo.

Pode ser que não estejam na iminência de caírem sobre elas, entretanto, poderão cair por uma circunstância ou outra. Daí convém que sejam podados para evitar um mal futuro. Cabe a presença do Engenheiro Agrônomo para que possa verificar se a poda pode ou não prejudicar a árvore.

Todo corte não deixa de ser um ferimento.

Muitas árvores não estão em PERIGO DE QUEDA IMINENTE e nem oferecem PERIGOS EM POTENCIAL, mas estão numa situação de RISCO PERMANENTE. Vejamos o caso de uma árvore que está implantada nas encostas de um terreno. Estão sadias e bem implantadas no solo inclinado, mas a acomodação do solo (mecânica de solo) com o passar do tempo poderá desestabilizar a árvore pela exposição das raízes desequilibrando as forças ao longo do tronco inclinando-a perigosamente com projeção sobre os arredores. Sendo assim, tal árvore está numa situação de RISCO PERMANENTE, pois o somatória dos fatores que poderão levá-la à queda são previsíveis embora tal queda não seja iminente.

Cabe a cada avaliador uma grande dose de bom senso. Muitas vezes deixa-se de cortar ou podar uma árvore, oferecendo perigo em potencial, ou que está em risco permanente, como é o caso de galhos sadios projetados sobre residências ou árvores implantadas em taludes inclinados e recebe a triste notícia de que, tempos depois, os tais galhos ou a árvore caíram sobre a residência e provocaram lesões ou mesmo a morte de pessoas ou então grandes danos ao patrimônio.

Na dúvida, deve-se isolar o local e acionar as autoridades do ramo (engenheiros agrônomos, assistentes sociais, defesa civil etc.) bem como empresas afins como as Cia de Força e Luz para juntos, sob a tutela do SICOE, tomarem a melhor decisão. Um conselho de Orgãos com certeza tomará a melhor decisão inclusive observando as questões legais.

Finalmente existem árvores TOMBADAS (Registradas como patrimônio histórico ou cultural). Tais árvores para serem cortadas necessitam de um processo especial para poda ou corte.

Convém, em caso de perigo de queda iminente isolar a área, evacuar a população do entorno e acionar as autoridades pertinentes ao caso. Algumas prefeituras mantém a relação de árvores tombadas pelo patrimônio público.

Existem vários métodos para se avaliar as condições de uma árvore a fim de se verificar sua estabilidade e saúde. Deve-se ter sempre em mente o que é uma árvore sadia. E fazer comparações de uma árvore sadia com a que estamos avaliando.


MÉTODO VISUAL: Consiste em verificar as condições sanitárias da árvore, sombreamento, sol, ação da umidade, raízes expostas apodrecidas, ação de pragas etc.

Ex. A figueira não é uma árvore que perde folhas. Se assim acontecer poderá estar comprometida com alguma doença. Já o Ipê em determinadas épocas do ano perde todas as folhas, mas não está morto.


MÉTODO DA AUSCUTAÇÃO Consiste em bater no tronco, ouvir o som e depois bater numa árvore sadia da mesma espécie e comparar os sons.


MÉTODO POR APARELHOS Consiste em utilizar aparelhos a fim de se verificar as camadas internas da árvore:

a) Aparelhos que penetram o tronco e vão medindo o esforço necessário para entrar;

b) Aparelhos como broca que retiram os tecido e assim pode-se observar as camadas;

c) Aparelho de Raio X os quais mostram o interior do tronco sem precisar perfurá-los.


O corpo de Bombeiros naturalmente usará métodos Visuais e de Auscutação, entretanto, nada impede o acionamento de Engenheiros Agrônomos para fazerem um exame mais acurado (completo).


PLANO DE CORTE

Uma vez definido se vai cortar ou podar a árvore, elabora-se um plano de corte.

Toda operação planejada leva a guarnição ao sucesso e o que é mais importante sem acidentes.


Se o plano é um corte total da árvore, deve-se observar o seguinte:

a) Determinar o CÍRCULO DE AÇÃO: Deve-se avaliar a altura da árvore e determinar um raio cuja distância seja de 2,5 (duas vezes e meia ) a altura da árvore.


Círculo de ação


b) Determinar a ÁREA PARA FERRAMENTAS: Deve-se estender uma lona fora do Círculo de Ação e sobre ela colocar todas as ferramentas.


Área para ferramentas


c) Verificar se não há OBSTÁCULOS à SEGURANÇA DOS BOMBEIROS E POPULAÇÃO:

- Tipo, som e situação da árvore a ser cortada;

- Animais peçonhentos instalados na árvore;

- Evacuar residências, se for o caso;

- Acionar Cia de Força e Luz para os desligamentos necessários;

- Acionar outros serviços necessários (Telefônica, SABESP, COMPANHIA DE GÁS etc.) para outras manobras;

- A guarnição a ser empregada deve possuir condições físicas, psicológicas e técnicas para esse trabalho.


d) Determinar se haverá CORTE TOTAL ou se haverá PODA PRELIMINAR ou SIMPLES PODA.

- Se o CORTE FOR TOTAL, determinar qual será a direção da queda e realizar a ancoragem do topo com cabos de aço ou cordas resistentes, tirfor ou sistemas para multiplicação de força para a utilização. Em seguida realizar o entalhe direcional e após o corte de abate. Lembrar-se de determinar a zona de segurança para quem está trabalhando.


Direção da queda


Dependendo do diâmetro da árvore, os cortes podem ser em cunha, em leque simples ou em leque múltiplo conforme POP.

Esquema de ENTALHE DIRECIONAL, CORTE DE ABATE E FILETE DE RUPTURA –Técnica de corte total.


Técnica de corte do tronco


Se antes do corte total, será necessário a poda preliminar, essa deve começar com a remoção dos galhos inferiores, subindo em direção à copada. Isso impedirá que galhos enrosquem-nos imediatamente abaixo. Às vezes é mais trabalhoso desenroscar galhos que caíram sobre outros, o que poderá atrasar, e muito, o tempo de corte. Portanto é fundamental o corte dos galhos inferiores.

Nesse caso de poda preliminar, temos que avaliar aspectos importantes: Se há possibilidade de queda livre ou se há obstáculos que impeçam tal queda:

a) Se há possibilidades de queda livre, poderão ser empregados três tipos de corte:


1. corte total horizontal


Corte com queda horizontal

O corte “A” por baixo, não deve ser muito profundo, pois poderá prender o sabre da motosserra.

Feito em galhos grandes, em que se deseja uma queda controlada não vertical, o galho cairá na horizontal.


2. corte total livre


Corte com queda vertical

Corte “A” total, sem permitir a lascada, deve ser feito de cima para baixo até o outro lado (geralmente feito em galhos menores em que não existe preocupação com a queda e suas conseqüências).


3. Corte lascado

Corte “A” deve ser feito de cima para baixo até a entrecasca do lado oposto


Corte lascado

O próprio peso do galho vai lascar a casca e a entrecasca.



Corte lascado
  
Feito em galhos que se deseja uma queda vertical.
O galho ficará pendurado pela entrecasca e a casca, quando não cai pelo próprio peso.


b) Se há obstáculos que impeçam a queda livre:

Empregar-se-á o balancinho, que nada mais é do que uma queda diagonal ou horizontal dos galhos sob controle de cordas, evitando que caiam de uma só vez. O operador da motosserra sempre se afasta do galho no momento da descida.

Adota-se uma forquilha, a mais favorável, e acima do galho que se quer cortar. Tais forquilhas são usadas como apoio para sustentar o galho e desviar a força, facilitando o trabalho do corte do galho e sua queda diagonal, sustentado por uma corda ancorada no seu ponto de equilíbrio, deve-se, ainda, usar um cabo guia para direcionar a queda.

Para queda horizontal, deverá ser usado balancinho duplo. Escolhe-se a forquilha mais favorável ou duas, passam-se as cordas que são ancoradas em dois pontos do galho, efetua-se o corte e se desce gradativamente, direcionando com o cabo-guia.

Para fazer balancinho de tronco, deve-se prender uma liga abaixo do tronco com uma manilha por onde passa uma corda que é ancorada na parte do tronco a ser cortada, no qual também é fixado o cabo guia, efetua-se o corte acima da liga e controla-se a descida. Em ambos os casos, a outra extremidade da corda deverá estar ancorada durante o corte.


4) Pode-se empregar cortes de galhos com balancinhos com ajuda de tirolesa. São cortes especiais nos quais não seja possível o arreamento dos galhos no solo imediatamente ao lado do tronco.

Neste caso, estendeu-se tantas tirolezas quanto forem o número dos galhos que se pretende retirar. Sempre começando de baixo para cima.


Tirolesas

As tirolesas devem ser montadas conforme os galhos superiores a ela são cortados.


O galho a ser cortado deve ser preparado com balancinho e corda, que será presa à tirolesa através de manilhas, e cabo guia, para que se puxe o galho através da tirolesa. Poderá ser utilizado material descartado da bolsa de salvamento em alturas, que será exclusivo para corte da árvore.


Balancinho com tirolesa


A medida que o galho é cortado e cai, ficará dependurado na tirolesa.


Descida do galho na tirolesa


Observações

1. Deve-se lembrar de sempre fazer as amarrações nos galhos depois de forquilhas, pois quando pendurados poderá escapar como no caso A.


Forma incorreta e a correta de ancoragem


O galho desliza pela tirolesa até o local desejado


Tirolesa do galho


Simples Poda

Em se tratando de simples poda de um ou outro galho, há que se avaliarem alguns motivos que nos obrigam a podá-lo. Podem-se encontrar situações nas quais a árvore não oferece perigo de queda iminente, mas apresente risco em potencial. Por exemplo, galhada avançando sobre residência é caso para a poda.

Podem-se também encontrar galhos que a árvore vai eliminar, o que nos indica risco permanente, pois, uma hora ou outra, a árvore vai eliminá-lo e o ele poderá causar acidentes.

Vejamos dois casos:

1º Caso em que a árvore apresenta, na base do galho, a fossa basal. Isso quer dizer que a seiva não está indo mais para o galho. Isto acontece quando, por um motivo ou outro, a árvore vai eliminá-lo.

2º Outro fenômeno em que a árvore vai eliminar o galho é a formação do colar. A seiva tenta chegar mas o galho não aceita, pois irá ser dispensado.


Crista e colar do galho


A poda técnica deve ser realizada nestes dois casos da seguinte forma:


Corte inicial de poda


São quatro cortes começando pelo corte “A” e terminando com o corte “D”.

Tal procedimento proporcionará menos danos à árvore.


Corte final de poda


Deve-se passar pasta cúprica, calda bordaleza ou mastique na ferida ou deixar por conta da árvore.


Passar pasta cúprica

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