04/11/2012

CAPÍTULO 9 - Resgate em espaço confinado - Entrada do socorrista - Riscos gerais - Medidas preliminares pra o acesso ( IPVS ) - Características - Uso do cabo guia em ambientes confinados - Problemas e soluções - Busca de vítima em incêndio empregando o cabo guia - Sistemas de comunicação empregando cordas - Formas de deslocamentos ( 1 - 3 em "Y" / em "L" / em "V" ) - Sistema de comunicação empregado em espaço confinado ( sinais sonoros, visuais, por toques ) - Equipe preparada com antecedência em situações emergenciais - Observação importante (cabo guia)


Resgate em espaço confinado




Entenda-se por espaço confinado qualquer área não projetada para a ocupação contínua, a qual tem meios limitados de entrada e saída, e que a sua ventilação seja insuficiente para remover contaminantes perigosos e/ou com deficiência/enriquecimento de oxigênio que possam existir ou se desenvolverem.


É considerado “espaço confinado” um ambiente com as seguintes características:

- dimensões e forma reduzidas, com via de acesso estreita, permitindo que apenas uma pessoa seja introduzida por vez;

- espaço não projetado para ocupação permanente;

- contém ou pode conter atmosfera perigosa;

- contém em seu interior produto que pode envolver ou sufocar a pessoa que nele se introduzir;

- suas dimensões internas podem estar dispostas de tal forma que ocasione a prisão ou asfixia de uma pessoa. O problema pode ser causado pela existência de paredes convergentes ou piso inclinado que conduza a pessoa a um ponto estreito;

- apresente algum perigo que ofereça iminente risco à saúde e à segurança.


Riscos gerais

Atmosfera perigosa:

1) deficiência de oxigênio.

2) atmosfera tóxica e/ou inflamável.

Em decorrência das duas situações anteriores, pela palavra “entrar”, entende-se como “expor qualquer parte do corpo a essa atmosfera” (figuras 280 e 281).

Asfixia motivada por líquido ou sólido (talco, por exemplo) presentes em quantidades suficientes para que a pessoa fique sob sua superfície.

3) choque elétrico.

4) exaustão causada pelo calor excessivo.

5) ficar “preso” numa passagem estreita.

6) sofrer danos físicos devido a quedas ou objetos em queda.

Cada um dos riscos citados anteriormente apresenta maior grau de preocupação quando se encontram pessoas no espaço confinado, uma vez que a equipe de resgate, em tais circunstâncias, enfrenta maiores dificuldades em um caso de emergência.



Medidas preliminares para acesso a espaço confinado

- proporcione ao bombeiro todas as condições de segurança, além dos EPIs adequados ao tipo de trabalho a ser realizado mediante avaliação do chefe de guarnição ou responsável. Convém lembrar que, nos espaços confinados o socorrista pode se deparar com uma atmosfera Imediatamente Perigosa à Vida ou a Saúde (IPVS) (figura 282):

- atente para a correta utilização dos equipamentos de seu funcionamento;

- escolha o bombeiro de acordo com as condições psicológicas, físicas e técnicas;

- na falta de equipamentos de comunicação, convencione técnicas para comunicação com o meio externo;

- utilize o cabo guia e lanterna intrinsecamente segura;

- deixe outro bombeiro da guarnição equipado no meio externo, pronto para adentrar no espaço confinado se houver necessidade;

- oriente o bombeiro quanto aos cuidados com o material levado ou utilizado, para que não provoque qualquer tipo de centelha;

- quando se tratar de resgate em galerias com pouca visibilidade ou contendo água, faz-se necessário o uso da bengala de cego (equipamento utilizado na exploração de galerias), com a finalidade de tatear o caminho, indicando armadilhas de superfície, como: buracos, escadas, materiais perfurantes, cortantes, etc.


Características:

Nas estruturas consideradas de confinamento e retentores de gases diversos, o bombeiro tem de assumir um papel de risco em razão dos materiais e equipamentos disponíveis para a execução de atividades nesses locais.

Devem ser observados: a localização, as características que o local apresenta, a profundidade, a extensão, as aberturas existentes, o fluxo de ventilação (se existir), o tipo de operação que deverá ser executada, os meios de fortuna que deverão ser empregados na operação, pessoal disponível, os materiais que deverão ser empregados na proteção individual e de nas possíveis vítimas.

Os gases normalmente encontrados nessas estruturas são em razão dos materiais que poderemos encontrar em profundidade e confinamento. Porém, alguns desses gases são considerados comuns e de ações lentas. Às vezes, perceptíveis em razão do odor, cor, cortina em forma de nuvem de fumaça, que são eles: metano e ácido sulfúrico, gases predominantes também conhecidos como gases de galeria ou gases deletérios (são assim chamados por serem prejudiciais ao organismo humano).

A técnica de salvamento em poço é considerada restrita por se tratar de qualificação especial e de materiais específicos para esse tipo de atividade. A principal técnica desenvolvida para ser empregada nessas operações é a ventilação do ambiente saturado, observando que o pessoal que se encontra nas proximidades deve permanecer com equipamentos de proteção individual. A finalidade da ventilação nesses ambientes é arejar e expulsar os gases existentes (figura 284).



Emprego do cabo guia em ambientes confinados

É uma técnica de busca e salvamento realizada em locais de risco devido ao difícil acesso, pouca visibilidade, desconhecimento da área. Técnica desenvolvida para penetração em locais de incêndios ocorridos em edificações (figura 284).

Dado o fato de que o atendimento a incêndios incorre na busca de vítimas em locais confinados ou saturados de gases tóxicos, bem como de pouca iluminação, o resgate de vítimas é parecido com os procedimentos, no entanto há locais prováveis de se encontrar vítimas, como:

- banheiros;

- dentro ou debaixo de móveis;

- nos cantos;

- próximo às janelas;

- final de corredor;

- saídas para o terraço;

- escadas.


Isso se deve ao comportamento do fogo e da fumaça, bem como das ações instintivas de se refugiar dentro de móveis, tentando evitar queimaduras.


Principais problemas encontrados em incêndios e possíveis soluções, veja quadro abaixo:



A realização da atividade de busca na posição e agachada visa à:

- melhor visibilidade;

- menor temperatura;

- melhor aeração.

A fumaça produzida nos incêndios, ao se acumular no teto, forma duas camadas visivelmente distintas de gases. O deslocamento deverá ser realizado apenas na camada inferior, com menos fumaça, ocorrendo lentamente de forma a não misturá-las.

O deslocamento dos bombeiros deve ser lento, tanto para evitar a mistura das camadas de gases, como também para evitar acidentes ou o choque com objetos.

A atividade de busca em incêndios deverá ser sempre realizada em dupla (figuras 286).




Busca empregando o cabo guia

O cabo guia tem a finalidade de ligar a dupla que realiza a busca entre o seu ponto inicial e o local da busca. Com isso, se estabelece, com convicção e determinação, o caminho de retorno, a comunicação e a possibilidade de envio de auxílio, quando a situação assim solicitar.


Há alguns procedimentos a serem tomados no que se refere ao resgate de vítimas em incêndio. Dentre os mais importantes temos:

1) solicite informações sobre o local onde será realizada a busca.

2) utilize EPIs adequados e iluminação, principalmente, para orientação.

4) trabalhe sempre em dupla;

5) delimite a área de busca a ser coberta (percorrida);

6) as áreas a serem percorridas, em primeiro lugar, devem ser as que apresentam maiores riscos;

7) progrida, lentamente, abaixado e seguindo a parede;

8) a dupla deverá utilizar tanto os braços quanto as pernas na busca, visando aumentar a área coberta;

9) nunca deixe de realizar a busca;

10) o cabo guia deverá ser mantido esticado, sem folga, para favorecer a comunicação;

11) a dupla deverá comunicar-se constantemente informando sobre obstáculos, portas, etc.;

12) depois de realizada a busca, coloque junto à porta do ambiente, um pequeno móvel (cadeira) em pé, em frente à porta com o objetivo de indicar que a busca foi realizada no local. Pode-se, também, usar ligas de borracha (de câmaras de pneu) para sinalizar a varredura em cômodos.


Sistema de comunicação empregando cordas



Após a entrada no local, para a execução da busca, a comunicação da dupla com o meio externo deverá ser realizada por meio do cabo guia (quando não se tem nenhum tipo de equipamento mais sofisticado). O método utilizado será por meio de puxões realizados no cabo (sinais por toques), que devem ser amplos de modo a diferenciar de puxões no cabo em função do deslocamento da dupla (na figura 287, o cabo guia está preso no manômetro do EPI).

O bombeiro que estiver segurando o cabo guia deverá permanecer com a mão que libera o cabo próximo ao tronco, possibilitando que seja sentido o toque de comunicação sem que seja arrastado.

O cabo guia deverá permanecer tencionado durante toda a busca, por isso, os bombeiros inspetores devem procurar não realizar muitas curvas, e todo contato realizado é uma informação recebida e deverá ser repetida como forma de confirmação da mensagem recebida (figura 289).


Formas de deslocamento

A distância entre os dois socorristas que compõem a dupla dependerá da visibilidade do local e dos possíveis riscos.

A distância normalmente utilizada é por meio da união (conexão) das amarrações de segurança da dupla (figura 288).


1 - 3 em “Y”:

Características:

a) a distância entre os socorristas da dupla é maior quando os dois socorristas são ligados um ao outro;

b) os sinais (toques) chegam aos dois elementos;

c) existe o problema do mosquetão (mola) de união, prender quando se ultrapassa um obstáculo (figuras 288 e 289).

  

2 - Em “L” ou Linha:

Características:

a) não possui o inconveniente do mosquetão prender, como no procedimento anterior (figuras 290, 291 e 292).



b) o sinal fica sob a responsabilidade apenas de um socorrista (figura 292).



c) o espaço entre os dois socorristas passa a ser menor;

d) empregado para a penetração em ambientes mais estreitos;

e) melhor para busca em percursos longos;

f) o contato entre os dois socorristas é melhor (figuras 291 e 292).


3- Em “V”:

Características:

a) a busca é feita apenas por um socorrista;

b) realizado em situações muito especiais, nas quais a busca ocorre devido às dimensões do local.




Sistema de comunicação empregado em ambiente confinado

A forma de agir diante de uma necessidade de comunicação rápida e eficaz, nos locais de emergência, é o que será explicado.

A humanidade dispõe de sofisticados meios de comunicação, fruto do progresso tecnológico. Em muitos lugares, existem equipamentos para essa finalidade, os quais se baseiam em sistemas de telefonia, rádios, rádio-comunicação em serviços aéreos, marítimos, televisão, redes de computação, etc.

O uso específico de sistemas de comunicação é realizado por órgãos militares em razão das estratégias preventivas, como o Corpo de Bombeiros e a polícia.


Contudo, a natureza desses sistemas e equipamentos podem tornar-se inoperantes diante das situações de emergência provocadas pela natureza ou pelo próprio homem, tais como:

Terremotos;
Furacões;
Enchentes;
Guerras;
Acidentes nucleares;
Grandes incêndios;
Grandes desabamentos seguidos de soterramentos.

Entende-se que quase todos os equipamentos dependem de energia elétrica que, em circunstâncias adversas, pode faltar ou ser racionada, dependendo da situação encontrada.

Na maioria dos acidentes em que atua o Corpo de Bombeiros, o sistema elétrico de uma edificação ou de veículos normalmente é afetado e o socorro em si não costuma usá-lo por medida de segurança. Diante dessas situações, empregam-se métodos de comunicação simples, que é uma solução rápida e segura para a obtenção de retorno durante uma situação de emergência.


Podemos identificar alguns desses sinais empregados dentro do sistema de comunicação:

Sinais sonoros: podem ser empregadas sirenes das viaturas, megafones, rádios e viva voz.

Sinais visuais: podem ser empregadas lanternas, faróis, pontos de referência, foguetes luminosos (matas).

Sinais por toques: sistema empregado para orientação durante buscas realizadas em ambientes confinados, sem visibilidade, de difícil acesso e que torna impossível usar outros meios. Podemos exemplificar com alguns princípios básicos, mais não determiná-los, pois o sistema pode mudar de atividade para atividade, como foi mostrado anteriormente nas formas de deslocamento em ambientes confinados.

Veja os exemplos:

- um toque - atenção (parando, prosseguindo);

- dois toques - encontrou alguma coisa;

- três toques - retornando;

- quatro toques - necessitando ajuda;

- vários toques consecutivos - emergência.




Equipe preparada com antecedência em situações
emergenciais

A preparação antecipada da guarnição deve obedecer aos seguintes procedimentos:

- organize as equipes de trabalho a prepará-las para o sistema de comunicação que será aplicado, visando empregar soluções práticas e objetivas.

- prepare os materiais e equipamentos para o sistema de comunicação.

- estabeleça o sistema de comunicação, mesmo nas situações mais precárias.

- verifique, nos arredores, a existência de meios que possam auxiliar no trabalho, a fim de usá-los como auxílio.

- mantenha a calma e o discernimento para perceber a hora correta de agir.

- faça tudo para obter auxílio, mas, ao mesmo tempo, permaneça receptivo às ajudas inesperadas e inusitadas.

- procure identificar as pessoas que irão atuar dentro da área de ação.

- obtenha sempre materiais de reserva, em qualquer situação.

- Nunca descarte a possibilidade de acontecer o imprevisto, desse momento em diante não faça coisa alguma por iniciativa precipitada, pois não é necessária a pressa, será sempre melhor esperar um momento oportuno.


Observação importante:

Nos capítulos anteriores, você percebeu a utilização dos termos corda(s) e cabo(s) como sinônimos, o que estou alertando não é quanto à sua nomenclatura ou termos e, sim, quanto ao material e quanto à forma técnica que está sendo usada.

Exemplo: duas cordas, unidas e tencionadas no plano horizontal, chamamos de cabo de sustentação. No plano horizontal, uma corda empregada para auxiliar uma dupla de bombeiros em uma determinada busca, chamamos de cabo guia (figura 296).







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